segunda-feira, 24 de maio de 2010

Frases feitas em inglês: Onde aprendé-las

Ultimamente encontrei dois sites sobre frases ou expressões fixas que valem uma pesquisada. Tem um montão de livros e sites sobre gramática e tem dicionários de todos os tipos, mas frases fixas ou nem tanto são o espinho dorsal da língua falada, são de uma importância extrema para quem está iniciando a aprendizagem de uma língua estrangeira, e estão bastante negligenciadas em termos de material didática. Uma exceção no mundo editorial brasileiro que prova essa regra é a série Como dizer tudo em... do americano Ron Martinez. Aqui você encontra frases e fórmulas de grande utilidade para praticamente qualquer assunto da vida, e nada de provérbios do século 19 que ninguém usa hoje em dia.


Dois sites, de maneiras diferentes, se propõem preencher esta brecha na Internet. O primeiro deles, http://www.tatoeba.com/, te permite colocar uma expressão numa língua para ver como ficaria noutra. É um site relativamente novo, em versão beta, mais já tem uma variedade interessante de frases para quem está planejando uma viagem, vai enfrentar uma situação social e precisa de algumas frases fixas, ou apenas quer matar sua curiosidade a respeito de um determinado tema. O site vai fornecer a pronúncia das frases solicitadas na voz de nativos, mas esse recurso ainda está em fase de implantação.



De português para inglês, coloquei várias expressões do nosso dia-a-dia, como "Se Deus quiser", " Saia da frente", "cara de pau", sem resultado. O site é mantido e desenvolvido por voluntários, afinal de contas, e está em fase de expansão, então querer esse nível de detalhe agora é realmente pedir demais. Outras expressões mais simples, no entanto, produziram vários exemplos. Isso pode ser interessante para alguém tentando compreender as diferenças entre as duas línguas. "Por favor" retornou várias frases com please; "Desculpe" deu algumas frases com excuse me, apologize, e I'm sorry, o que mostra que geralmente uma simples tradução ao pé da letra não funciona numa língua estrangeira.



Para ver o outro lado da moeda, coloquei algumas expressões inglesas para ver o que dariam em português. Infelizmente, várias frases fixas muito correntes não deram em nada. Consegui alguns resultados por Hi, What's new?, mas o corriqueirísimo How about...? para sugestões retornou nenhuma frase.



Para concluir, tatoeba.org tem muito potencial, e com certeza com a paciente contribuição dos usuários vai virar uma ferramente potente para o brasileiro que quer aprimorar seu inglês, mas é muito cedo ainda.



Outro site potencialmente mais útil para quem se interessa por frases características do inglês é http://www.phrasemix.com/. O bom do site é que aqui se trata de frases realmente usadas no dia-a-dia; são coisas que eu próprio digo ou diria sem hesitação. O dono do site, Aaron, apresenta uma frase para o leitor decorar e logo dá uma explicação em inglês simples. Aaron apresenta uma frase nova por dia, e é possível assinar um resumo semanal com todas as frases da semana mais material adicional.

Para ver uma frase em mais contextos, é só colocá-la na caixa Google e já tem centenas de exemplos. Peguei a frase "This one's supposed to be good", postagem do dia 23 de maio, 2010, e o Google retornou 714 incidências. Tem de tudo, blogs, sites mais convencionais, uma infinidade de contextos. Com cada exemplo, o significado fica mais clara e a frase se grava melhor na memória.

Um bom pedido, então, numa área que nem sempre recebe a atenção que merece de alunos ou professores.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Use música pop para turbinar seu inglês (www.lyricstraining.com)

Eis um site para todo mundo que adora ouvir música em inglês e gostaria de combinar esse interesse com o aprendizado de vocabulário do dia-a-dia. A dica foi do Benny Lewis, um poliglota e trota-mundos irlandês que mantém um site sobre suas experiências com muitíssimas dicas (que ele chama de hacks) para aprender uma língua (ele já fala 7!) em tempo recorde: http://www.fluentin3months.com/.

No http://www.lyricstraining.com/, você escolhe sua música baseado na dificuldade dela (o site oferece easy, medium e hard). Aí, você vê o clipe, ouve a música, e escolhe um jogo em que você tem que preencher poucas ou muitas palavras que estão faltando na letra mostrada na tela YouTube. Se você precisa de tempo para pensar, a música para e te espera. Se errar, logo a seguir você vê a resposta certa; se apenas quiser ver as legendas, pode apertar a tecla Give up! (Desistir), o jogo será desabilitado, e as legendas rolarão normalmente.

Evidentemente, trata-se de música pop contemporânea. Apreciadores de Frank Sinatra, música country, jazz, e outras modalidades mais vão ter que esperar um pouco mais para aprender com seus ídolos. Mas encontrei pelo menos uma música que eu costumava usar com meus alunos no laboratório de línguas quando estava começando a dar aulas de inglês como segunda língua nos anos 70, numa versão com várias cantantes, incluindo aquela que tornou a música famosa, Carol King. A música se chama You´ve Got A Friend e a recomendo.

terça-feira, 30 de março de 2010

Como pronunciar (ou não pronunciar) o "t"

O som do /t/ é um pouco mais complicado do que parece. Por começo de conversa, o jeito de articular depende da posição do som na palavra ou na frase. Quando o som começa uma sílaba, o ar que armazenamos atrás da ponta da língua tocando os dentes da frente superiores é solto. Eis alguns exemplos: touch, terrible, tiny, tooth. Enquanto você pronuncia essas palavras, coloque uma mão (qualquer uma) na frente da boca, e você sentirá um soprinho de ar, não muito forte, mas dá para sentir.
No começo de uma sílaba mas no meio de outras consoantes, o sopro é mais fraco, em palavras como try, bring, from. O sopro está lá, mas é fraquinho, fraquinho.

Entre sons vogais o /t/ quase vira um /d/ (no inglês americano). Com certeza isso é bastante desconcertante para quem lê a letra (ou até duas letras) t e espera um /t/ como no nosso primeiro exemplo, mas aí está. Alguns exemplos: matter, sitting, hitter, lighter, kitty. O som lembra um /d/, mas é bem mais rápido do que um /d/ comum. É por isso que podemos distinguir writing (escrevendo) e riding (montando). No primeiro exemplo, o /d/ é fugaz, quase não existe; no segundo, seguramos o som por mais um pouco. A diferença é pequena, mas é clara.

O /t/ após um /n/ às vezes vira um /d/ quase fantasma, às vezes some de vez. Alguns exemplos são winter, (inverno), que na boca de um norteamericano soa bem próximo de "winner" (ganhador), e dentist, cujo /t/ interior pode muito bem desaparecer de vez. Muitos americanos não ouvem este som. Eu me lembro que uma vez, quando morava em Texas, vi um consultório odontológico com a placa "Dr. Fulano de Tal" (em inglês Dr. So-and-So), family denistry". Nem o Dr. So-and-So nem o pintor percebeu o erro, bastante crasso, porque é assim que muita gente pronuncia a palavra, totalmente sem o som de /d/, e muito menos o /t/. A forma correta seria "dentistry" odontologia, de dentist. Existem muitos exemplos desta transformação: twenty, seventy, ninety, wanted, planting e por aí vai.

Finalmente, vale a pena falar sobre o /t/ em posição final. Em português, a tendência quase irresistível é de palatizar este /t/ que vira tchi: Rute, mate, etc etc. Resista esta tentação em inglês! Em inglês você começa a pronunciar o /t/, mas não termina. Em pronunciando not por exemplo, você segura o ar de /t/ atrás da língua, mas não o solta - o ar fica retido na sua boca. Você passa diretamente para o próximo som.

sábado, 20 de março de 2010

Aúdio Avançado - Usando npr.org

Neste blog e na vida real, vivo recomendando o site www.voanews.com/specialenglish para quem quer aprimorar sua capacidade de entender inglês falado e melhorar seu vocabulário. E é evidente, se você interagir com Special English 30 minutos por alguns meses, vai se espantar com o tanto que você melhorou. Mas às vezes você quer alguma coisa diferente ou (e espero que isso aconteça) você acha que Special English já deu o que tinha para dar e você quer alguma coisa realmente desafiante, do tipo falante nativo para falante nativo.

Um site que preenche esses requisitos é npr.org. NPR é National Public Radio, uma rede de centenas de estações de rádio que apresenta um grade de programação sobre os assuntos mais variados. E oferece podcasts da rede e também de programas dos filiais na Califórnia, Ohio, Oregon, etc. Você pode utilizar este acervo extraordinário para dar um salto no seu inglês.

Primeiro, você abre http://www.npr.org/. Chegando aí, você vai ver uma caixinha no canto esquerdo superior denominado "Search". Nesta caixinha, você escreve transcriptos (textos de programas) e clica. Abre uma página com dezenas de programas que vem acompanhados de textos. Você clica no título e logo vem o texto. Em cima do texto, há um botão para ouvir o programa e isso serve perfeitamente se o que você quer fazer é ouvir o programa na velocidade original. Você lê e ouve ao mesmo tempo, e assim se acostuma com o fluxo normal do inglês americano falado.

No entanto, se você acha tudo isso rápido demais, o que é perfeitamente normal se você nunca foi exposto a esse tipo de material, tem uma alternativa. Em vez de clicar em "Listen to the story", você clica na opção "Download", diretamente à direita do "Listen to the story". Vai ter que esperar alguns momentos, mas o programa que você escolheu vai abrir em Windows Media Player. Uma vez aberto o programa, é só escolher "Aprimoramentos" no menu lá em cima da tela e clicar em Configurações de Velocidade de Reprodução" para baixar a velocidade do programa. Você pode mover o indicador até 0.5 para reduzir a velocidade de reprodução pela metade. Se comparar o original com a velocidade reduzida, a diferença é impressionante.

Para quem nunca tentou entender inglês não simplificado, recomendo que você leia o texto primeiro. Eu sugeririra que você abrisse o texto dentro do site http://www.lingro.org/, sobre o qual já falei anteriormente, para poder adicionar as novas palavras ao seu vocabulário global. Não se desespere se não consegue entender tudo! O importante no começo é pegar a idéia geral do segmento.

Sugestões de uso para esse site: 1. Leia o texto (de preferência em lingro) para entender a idéia geral e as novas palavras que são importantes ou que você achar interessantes. 2. Ouça o programa em velocidade reduzida, algumas vezes se for o caso. Vai ver que com cada escuta, você está compreendendo mais. 3. Ouça e leia ao mesmo tempo, aumentando a velocidade de reprodução. 4. Faça a tentativa de ouvir o programa na velocidade original sem o texto.

Se você persistir com este procedimento (e garanto que cada vez que você fizer ficará mais fácil - persistência é a chave) vai experimentar um salto qualitativo na sua capacidade de entender inglês falado.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Mas que tipo de mulher?

Em português, a palavra mulher serve tanto para o feminino da raça humana de uma forma geral quanto para a companheira ou esposa. Quando alguém fala, por exemplo, "Você precisa de uma mulher", não sabemos se acha que precisamos de uma esposa ou simplesmente de uma fêmea, ou das duas coisas Existe uma certa ambigüidade que só o contexto pode esclarecer.

Em inglês, a situação é outra. Woman (mulher) é uma adulta feminina, mais nada. Wife é esposa. Se você apresentar sua companheira como my woman dá-se a impressão que você acha que ela te pertence, uma attitude bastante comum cem anos atrás mas, digamos, fora de uso nos tempos que correm.

Se vocês estão casados, a sua companheira é sua wife. Mas o que você pode dizer se vocês moram juntos mas não são casados? Tem várias opções. Por exemplo: Moramos juntos. We are living together. Ela é minha parceira. She's my partner. Ela é minha namorada. She's my girlfriend. Uma girlfriend não precisa ser uma girl (menina) para ser uma girlfriend. Girlfriend (e boyfriend) podem ter qualquer idade. Sua namorada de 80 anos continua sendo uma girlfriend, apesar da DNA (data de nascimento avançada). Não existe outro termo. Lady friend tem uma conotação bem negativa. Implica uma "amizade colorida" ou relacionamento fora do casamento. Fancy man seria alguma coisa parecida para um homem.

Existem outros termos também para qualificar um relacionamento, como amante (lover, serve para ele ou ela); mistress (é uma amante).
O amante que vive às custas da mulher é um gigolo = DJIG oh loh. Em inglês como português, tem relacionamentos para todos os gostos.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Os melhores pneus

Hoje estava fazendo o que faço melhor: estava ouvindo rádio, e não podia evitar uma propaganda pela marca Bridgestone/Firestone de pneus. Os primeiros elementos (a Bridge e o Fire, respetivamente) foram até bem pronunciados. A dificuldade veio no final. O locutor (e ele não é o único) pronuciou a vogal como se fosse o "u" de but. Acontece que o "o" que leva ênfase (secundário) aqui, não tem um som mais dois: é o diftongo o-u. Começa com o e termina em u. Ou seja, a pronúncia preferíve seria BRIDG stoun FAYR stoun. Não esqueça de não colocar um "e" antes de "stoun", corra para a loja, corrija o vendedor, e leve seu desconto. Ou talvez um quinto pneu de brinde.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Headhunters

HEAD hunter - quem caça cabeças
head HUNTER - o caçador em chefe

Esses dias, ouvi o comentário do Max Gehringer na CBN sobre a atuação desses caçadores de talentos corporativos. É mais uma palavra inglesa (até me atreveria a dizer americana) que entrou para ficar na linguagem do business brasileiro. Originalmente, o termo se referia aos índios que cortavam as cabeças dos inimigos e usavam-nas para embelezar suas residências. Headhunters (ao pé da letra, caçadores de cabeças) são aqueles agentes que recrutam executivos do mais alto padrão para empresas querendo o melhor gerenciamento possível sem olhar o valor do salário, quase sempre altíssimo.

O headhunter que nos interessa emfatiza a primeira parte desta palavra composta. A pronúncia correta é HEAD hunter. Aqui, emfatizamos o elemento mais importante: trata-se de um caçador de CABEÇAS. Esta ênfase não é natural para quem fala português. A tendência do brasileiro seria dizer head HUNTER. Esta pronúncia existe em inglês mas não indica o recrutador de cabeças brilhantes. Vira duas palavras (head HUNTER) e significa "caçador chefe" ou "caçador principal". Agora se pode objetar que, na maioria das vezes, essa diferença não importa muito e que o contexto toma conta de dar o significado adequado. Mas não deixa de soar estranho no ouvido do falante nativo, ou semi-nativo, de inglês.

E convenhamos, não tem como um inglês mal falado para afugentar o assedio dos headhunters da vida.